07/10/2010

Mãe

Hoje eu vou falar de minha mãe
Mas quero falar também de todas mães que se foram,
Das mães que fazem falta na vida da gente,
Das mães que deixaram saudades...

Saudades de doer no fundo da alma,
Saudades que ninguém poderá curar.
Relembro as minhas brigas com Deus!
Briguei e ainda me sinto magoado.

Mãe, minha querida, não sei onde te encontras
Mas eu me encontro perdido...
Quantas vezes perdi minha fé por teres partido,
Tornei-me uma criança e me revoltei

Por não ter mais teu regaço,
Por me sentir só neste mundo!
As pessoas que ficaram jamais
irão preencher o vazio que tu deixaste.

Mãe, teu dia está chegando, mais uma vez e
Meu peito continua doído como naquele
dia em que partiste...
Nada neste mundo fará com que esta dor, que sinto,
se apague.

Ela é como uma chama alimentada de saudades,
A cada dia ela aumenta e queima mais e mais meu coração.

Tantas vezes eu chorei calado e desesperado,
E as mágoas e a dor no peito apenas aumentaram...
Mãe querida! Feliz dias das mães!
Onde estiveres consola- me e ameniza minhas dores

06/10/2010

Lágrimas

Cheia de penas me deito E 
mais penas me levanto 
Já me ficou no meu peito 
O jeito de te querer tanto  
Tenho por meu desespero 
Dentro de mim o castigo 
Eu digo que não te quero 
E de noite sonho contigo  
Se considero que um dia hei-de morrer 
No desespero que tenho de te não ver 
Estendo o meu xaile no chão 
E deixo-me adormecer  
Se eu soubesse que morrendo 
Tu me havias de chorar 
Por uma lágrima tua 
Que alegria me deixaria matar

Lágrimas

Cheia de penas me deito E com mais penas me levanto Já me ficou no meu peito O jeito de te querer tanto  Tenho por meu desespero Dentro de mim o castigo Eu digo que não te quero E de noite sonho contigo  Se considero que um dia hei-de morrer No desespero que tenho de te não ver Estendo o meu xaile no chão E deixo-me adormecer  Se eu soubesse que morrendo Tu me havias de chorar Por uma lágrima tua Que alegria me deixaria matar

Amália morreu há 11 anos

Embaixadora do fado e de Portugal no mundo desapareceu no dia 6 de Outubro de 1999.
Faz hoje 11 anos que morreu Amália Rodrigues, a voz que fez do fado eterno lamento e símbolo além fronteiras de Portugal, da língua e dos portugueses. A fadista - actriz, artista, pioneira do novo fado - desapareceu no dia 6 de Outubro de 1999, aos 79 anos.

Amália percorrem a sua vida como fadista, com passagem pelos anos 50, Paris e Madrid e pelo seu cosmopolitismo lisboeta até meados dos anos 80, nos seus concertos de despedida.

No ano passado, o décimo aniversário da sua morte fui assinalado com uma grande exposição organizada em conjunto pela Fundação e Casa Museu Amália Rodrigues e pelo Museu de Arte Contemporânea Berardo.

Uma parte desta noticia foi retirada da página "http://blitz.aeiou.pt/gen.pl?p=stories&op=view&fokey=bz.stories/33878


Estranha forma de vida

Foi por vontade de Deus 
que eu vivo nesta ansiedade. 
Que todos os ais são meus, 
Que é toda a minha saudade. 
Foi por vontade de Deus.  
Que estranha forma de vida 
tem este meu coração: 
vive de forma perdida; 
Quem lhe daria o condão? 
Que estranha forma de vida.  
Coração independente, 
coração que não comando: 
vive perdido entre a gente, 
teimosamente sangrando, 
coração independente.  
Eu não te acompanho mais: 
para, deixa de bater. 
Se não sabes onde vais, 
porque teimas em correr, 
eu não te acompanho mais.

01/10/2010

Fim de Semana

Estirado na areia, a olhar o azul, ainda me treme o parvalhão do corpo, do que houve que fazer para ganhar o nosso, do que houve que esburgar para limpar o osso, do que houve que descer para alcançar o céu, já não digo esse de Vossa Reverência, mas este onde estou, de azul e areia, para onde, aos milhares, nos abalançamos, como quem, às pressas, o corpo semeia.

29/09/2010

Febre Vermelha

Rozas de vinho! Abri o calice avinhado!
Para que em vosso seio o labio meu se atole:
Beber até cair, bebedo, para o lado!
Quero beber, beber até o ultimo gole!

Rozas de sangue! Abri o vosso peito, abri-o!
Montanhas alagae! deixae-as trasbordar!
As ondas como o oceano, ou antes como um rio
Levando na corrente Ophelias de luar...

Camelias! Entreabri os labios de Eleonora!
Desabrochae, á lua, a ancia dos vossos calis!
Dá-me o teu genio, dá! ó tulipa de aurora!
E dá-me o teu veneno, ó rubra digitalis...

Papoilas! Descerrae essas boccas vermelhas!
Apagae-me esta sede estonteadora e cruel:
Ó favos rubros! os meus labios são abelhas,
E eu ando a construir meu cortiço de mel...

Rainunculos! Corae minhas faces-de-terra!
Que seja sangue o leite e rubins as opalas!
Tal se vêm pelo campo, em seguida a uma guerra,
Tintos da mesma cor os corações e as balas!...

Chagas de Christo! Abri as petalas chagadas!
N'uma raiva de cor, n'uma erupção de luz!
Escancarae a bocca, ás vermelhas rizadas,
Cancros de Lazaro! Feridas de Jezus...

Flores em braza! Orgaos da cor! Tirava
Operas d'oiro, podesse eu, das vossas teclas.
Volcões de Maio! ungi minha pelle de lava!
Dae-me energia, audacia, ó pequeninos Heclas!

Dae-me do vosso sangue, ó flores! entornae-o
Nas veias do meu corpo estragado e sem cor:
Que vida negra! Foi escripto, á luz do raio,
O triste fado que me deu Nosso Senhor...

Scismo já farto de velar minha alma doente,
Não dura um mez siquer, minhas amigas, vede!
Mas, mal vos vejo, então, pulo alegre e contente
A uivar, como os leões quando os ataca a sede!

Corto o estrellado céu, voo atravez do espaço,
Cruzo o infinito e vou rolar aos pés de Deus,
Como se accaso fosse, em catapultas de aço,
Por um Titan de bronze atirado a esses céus!

Amo o vermelho. Amo-te, ó hostia do sol-posto!
Fascina-me o escarlate. Os meus tedios estanca:
E apezar d'isso, ó cruel hysteria do Gosto,
Certa flor da minh'alma é branca, branca, branca...